domingo, 9 de agosto de 2009

Saudade, saudade e nada mais?

Dia feliz pra muita gente hoje, dia como todos os outros para alguns, e cheio de saudades para muitos tbem.Eu pertenço ao último grupo, aliás, me diz aí quem me conhece, um dia que seja que eu não fale que estou com saudade de algo? Como várias vezes escrevi e disse, a saudade me acompanha,às vezes(ou quase sempre?),me apego muito nas lembranças, volto muito no passado.Tenho tentado controlar isso, porque quem vive de lembranças, acaba esquecendo muitas vezes esquecendo dos momentos, do presente.
Dia dos Pais.Claro que eu me lembro do meu todos os dias, não tenham dúvida disso. Mas me diz como não lembrar mais nesse dia, onde em todo lugar mostra uma foto de uma criança abraçada com seu pai, e com a maioria das pessoas que você conversa, alguém sempre comenta que não sabe o que vai dar pro pai.
Eu queria dar apenas um abraço, dizer que o amo tanto, e que apesar de tudo e todos os defeitos dele, ele era(e continua sendo) o meu melhor pai do mundo.Queria tanto que estivesse aqui comigo, me vendo crescer, acompanhando minhas vitórias, segurando minha mão quando eu caísse,se orgulhando da "menininha" dele.
Fico imaginando, se de onde ele está, ele fica esperando a minha postagem, que todo ano escrevo, como se ele fosse ler...divagações eu sei, onde ele está, chegam as minhas orações apenas..
Hoje eu queria ficar o dia todo sozinha, quietinha, só eu e minhas lembranças...mas não posso, seria injusto com meu avô(que tem sido meu 2º pai, durante todos esses anos), e com meu padrasto que me trata como filha.Claro que ninguém jamais poderá substituir o meu pai,mas eles preenchem pelo menos um pouco,o vazio que nesse dia eu sinto.
Nesse domingo, ainda ficou mais triste, com a morte do pai de uma amiga minha,mesmo não o conhecendo, sinto por ela, que vai saber a partir de agora, como dói a dor da saudade, como dói querer abraçar alguém, e simplesmente não poder.
E amanhã? Seria o aniversário do meu pai,fico imaginando, se ele estivesse aqui faria um bolo pra ele, cantaria parabéns....sonhos e fantasias que me acompanham durante esses 11 anos de saudade.
Mas não é só de tristezas que se vive, Agradeço muito por ter tido um pai, ainda que por pouco tempo, um pai que mesmo "separado", estava sempre junto ,que me deixou lembranças e coisas boas.
Espero que de onde ele estiver, que esteja feliz, que esteja bem(eu sei que está)...que esteja lá sorrindo e se orgulhando de mim...E aqui comigo eu sei que ele está, está no sangue que corre nas veias, e no coração que pulsa...

E a todos os pais,aquele abraço apertado, e aos filhos felizes por ter um pai, não esqueção de dar o abraço, não deixam de demonstrar(muito mais que falar) que os amam, não deixem pra dar o devido valor, quando estes já não estiverem ao seu lado, pra que tudo seja dito, olhando nos olhos...

FELIZ DIA DOS PAIS!

"(...)Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
(...)Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
(...)
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Querer tudo é nada!

Ponha a mão no peito e sinta as batidas do seu coração. Esse é o relógio da sua vida tiquetaqueando a contagem regressiva do tempo que lhe resta. Um dia ele parará.
Isso é cem por cento garantido e não há nada que você possa fazer a respeito. Portanto, não dá para perder um único precioso segundo.
Vá atrás do seu sonho com energia e paixão, ou, então, recue e veja-o escorrer pelo ralo. Se você passar o tempo todo em cima do muro, acabará não indo a lugar algum no pouco tempo que lhe resta (sem falar, claro, no perigo das farpas em lugares inconvenientes).
Como dizem: "não se salta uma fenda em dois pulinhos". É preciso coragem e dedicação para viver os seus sonhos. (Claro, também é preciso lembrar onde acaba a coragem e começa a estupidez).
A verdade é que todos nascemos com potencial para a grandeza, abençoados com oportunidades para alcançar novas e estonteantes alturas. Mas, tristemente, muitos de nós são preguiçosos demais, preocupados demais com o que os outros possam pensar, com medo demais de mudanças, para abrir suas asas e usar todos seus talentos.
É importantíssimo fazer o que o deixa feliz e da melhor maneira possível. Não importa que seja fazer bolas de neve, prender a respiração debaixo d'água, cantar, ou conseguir efeitos dramáticos com um secador de cabelos.
Só o que interessa é que você se sinta bem com o que está fazendo.
Tenha sempre em mente que, faça o que você fizer, os enganos são parte da vida e não perca tempo se castigando por erros do passado.
Não fique ruminando se está ou não fazendo a coisa certa. Você sempre saberá a resposta no seu coração.
Em vez de desanimar-se, lembre-se sempre de que rejeição e resistência são inevitáveis quando se faz algo muito importante ou especial. Quando você se propõe a realizar seus sonhos, muitos tentarão detê-lo (incluindo os que mais amam você).
O que não falta neste mundo são pessimistas lamentáveis, que desistem dos seus sonhos, para lhe dizer: "não perca seu tempo, você nunca conseguirá." Você pode muito bem viver cercado por pessoas que, secretamente, querem ver você fazer menos, ou fracassar por completo, para não se sentir diminuídas. "Esqueça isso", dirão. "Não vale a pena." Por isso, é importante compreender que seguir seu próprio caminho pode ser incrivelmente recompensador, mas não é fácil não. Como todo mundo, você terá alguns dias melhores que outros
De vez em quando, tudo parecerá uma grande zona de perigo. As pessoas olharão para você com estranheza quando souberem o que você está tentando atingir e você começará a ouvir seus detratores e a ter dúvidas. "Porque não continuei vendendo bananas, meu Deus?" Mas, aconteça o que acontecer, não desista! Lembre-se de que todos têm dificuldades...
É incrivelmente cansativo passar dias fazendo coisas que não nos agradam ou sequer nos interessam. Mas, se você perseguir o seu sonho, pelo menos se cansará fazendo o que mais gosta. Você pode achar que nada disto significa muito no grande esquema global das coisas. Mas, acredite: significa.
Quando você tirar tudo que puder da sua vida, saboreando cada gota, isto mudará tudo à sua volta, de ordinário para extraordinário.
Quando estiver fazendo o que ama, você se levantará de manhã cheio de animação para enfrentar o começo de cada dia e estará tomado de uma alegria sincera, altamente contagiante. Do mesmo modo que, ao dar uma boa risada, faz outro começar a rir, e outro, até que estão todos rindo tanto que começam a lacrimejar, ter dor de estômago e dificuldades em respirar.
Mas, melhor do que tudo, fazendo coisas que enroscam os seus bigodes de fazer (presumindo-se, claro que você tenha bigodes), você inspira outros a irem atrás dos seus sonhos, e é assim, meu amigo, que se transforma o mundo!
Sabe de uma coisa? Mesmo que você cometa enganos e esteja errado sobre quase tudo, ainda assim sua vida será uma aventura fantástica e divertida; você dormirá cada noite sabendo que fez o que podia e isso fez diferença. Acordará a cada dia antecipando o futuro tão belo e excitante quanto puder imaginar.
E sabe de outra coisa? Se você ouvir seu coração e usar a cabeça, nunca estará errado.
Querer é poder, mas é preciso saber querer. Você pode querer tudo, mas se souber querer, não vai querer.

Querer tudo é nada!


(Luiz Fernando Veríssimo)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Somos feitos para sentir!

Quando quero me sentir em paz, minha técnica de relaxamento, é imaginar uma praia deserta, com aquela areia branquinha, o som das ondas, consigo até ver gaivotas voando no céu azul,a brisa suava e o sol quentinho...
"Encontrei" muitas pessoas nessa praia, e muitas vezes adormeci nela também...confesso que nesse turbilhão de coisas que passam na minha vida, queria que essa praia fosse real, e que nela eu pudesse realmente me sentir em paz, levar pra lá todassssss as pessoas que eu amo, e fazer uma grande festa. Sei , sei , tenho o dom de divagar nos meus pensamentos.
Muitos ventos fortes passam na minha vida, brisas também, alguns trazem, outros levam....mas a saudade independente de qualquer coisa sempre fica. A saudade e as perguntas são constantes em minha vida, juro que estou tentar com "lidar' com elas, mas há dias que elas me atormentam.
Talvez seja no comercial que anda passando na Tv, são as perguntas que movem o mundo, e não as respostas, e a saudade? geralmente, vc tem saudade de algo que viveu, de alguem que conheceu, de algo sentiu...a saudade não é dor, é falta, é ausência, é lembrança, mas jamais deve ser dor.
Claro que seria bom se pudessemos voltar, resgatar tudo que sentimos falta, e por instantes, não sentir esse aperto aqui dentro, essa vontade de tornar o imaterial , algo real...de tornar a saudade em uma pessoa , a saudade em um momento, a saudade em uma sensação boa.
Mas nós fomos feitos para sentir, fomos feitos para sorrir, fomos feitos para chorar, fomos feitos para aprender , fomos feitos para viver.Não fomos feitos para entender tudo que sentimos, nem tudo que vivemos....e é claro, que viver não é facil, e nem poderia ser. Tem que ser dificil , tem que haver "luta" pra haver Graça...pra haver sentido.
E a saudade, é uma continuação do amor, ela serve pra dizer que a vida é passageira, que tudo é um instante, mas que você terá sempre algo seu, algo eterno, sim as lembranças são eternas, elas são nossas, pra sempre....como uma caixinha que você carrega consigo, e pode abri-la quando quiser....Mas apesar disso, viva, aproveite, pois a saudade não é suficiente pra fazer com o que o passado se torne presente...e não deixe que ela se torne saudade do presente.De algo que não viveu, de algo que não fez, de algo que não disse. Não tenha saudade daquilo que não viveu.Pois essa é sim a saudade mais triste que existe.
E um dia, quem sabe alguem consiga colocar em nossas mentes, que a presença,o tocar, o ver, o escutar, não é tão importante do que o SENTIR.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O meu eu, escrito por clarice...

Estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender.(...)Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.(...)na confirmação de mim eu perdi o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.
Perdi alguma coisa que me era essencial(...)assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável.(...)Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
(...)A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? estarei mais livre?Não. Sei que ainda não estou sentindo livremente, que de novo penso porque tenho por objetivo achar - e que por segurança chamarei de achar o momento em que encontrar um meio de saída. Por que não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me porque não sei para onde dá essa entrada. no entanto, perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida(...) é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?
(...)O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade.
No entanto na infância as descobertas terão sido como num laboratório onde se acha o que se achar? Foi como adulto então que eu tive medo e criei a terceira perna? Mas como adulto terei a coragem infantil de me perder? Perder- se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando. As duas pernas que andam, sem mais a terceira que prende.E eu quero ser presa. Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir.
(...)Fico tão assustada quando percebo que durante horas perdi minha formação humana. Não sei se terei uma outra para substituir a perdida. Sei que precisarei tomar cuidado para não usar superficialmente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de uma verdade.Mas é que também não sei que forma dar ao que me aconteceu.
(...)Mas como faço agora? Devo ficar com a visão toda, mesmo que isso signifique ter uma verdade incompreensível? ou dou uma forma ao nada, e este será o meu modo de integrar em mim a minha própria desintegração? Mas estou tão pouco preparada para entender.
(...)Para que eu continue humana meu sacrifício será o de esquecer? Agora saberei reconhecer na face comum de algumas pessoas que elas esqueceram. E nem sabem mais que esqueceram o que esqueceram.
Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão.
Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer - nessa pequena luta por não perder a consciência e entrar no mundo maior - muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho.
Ir para o sono se parece tanto com o modo como agora tenho de ir para a minha liberdade. Entregar-me ao que não entendo será pôr-me à beira do nada. Será ir apenas indo, e como uma cega perdida num campo. Essa coisa sobre natural que é viver. O viver que eu havia domesticado para torná-lo familiar. Essa coisa corajosa que será entregar-me, e que é como dar a mão à mão mal-assombrada do Deus, e entrar por essa coisa sem forma que é um paraíso. Um paraíso que não quero!
Aquilo que provavelmente pedi e finalmente tive, veio, no entanto me deixar carente como uma criança que anda sozinha pela terra. Tão carente que só o amor de todo o universo por mim poderia me consolar e me cumular, só um tal amor que a própria célula-ovo das coisas vibrasse com o que estou chamando de um amor.
(...)Minha tragédia está em alguma parte.Onde esta o meu destino maior? um que não fosse apenas o enredo de minha vida. A tragédia - que é a aventura maior - nunca se realizara em mim. Só o meu destino pessoal era o que eu conhecia. E o que eu queria.
Em torno de mim espalho a tranqüilidade que vem de se chegar a um grau de realização (...) Também para a minha chamada vida interior eu adotara sem sentir a minha reputação: eu me trato como as pessoas me tratam, sou aquilo que de mim os outros vêem. Quando eu ficava sozinha não havia uma queda, havia apenas um grau a menos daquilo que eu era com os outros, e isso sempre foi a minha naturalidade e a minha saúde. E a minha espécie de beleza. Só meus retratos é que fotografavam um abismo? Um abismo.
Um abismo de nada. Só essa coisa grande e vazia: um abismo.



Fragmentos de "A paixão segundo G.H" Clarice lispector.

sábado, 27 de junho de 2009

Não quero crescer!

[...]No fundo acredito que somos, todos nós, crianças que cresceram mais estatura do que emocionalmente, crianças que foram empuradas para o meio do palco e que precisam ter suas falas na ponta da língua, conforme foram ensaiadas desde a primeira infância....
Somos crianças que choram escondidas no banheiro, que tomam atitudes insensatas, que dizem o que não deveriam ter dito e que nos momentos de desespero, gostariam de chamar um "adulto" para resolver a encrenca no nosso lugar. Mas que adulto? Deus? Ele tem mais do que se ocupar. Resta-nos chorar no meio-fio da calçada mesmo, caso não fosse um vexame.
Os maduros têm certeza. Os maduros não vacilam. Os maduros são programáticos. Os maduros ganham dinheiro. Os maduros assumem seus atos. Os maduros sabem o que dizer e como se comportar. Os maduros só fraquejam diante da orfandade - perder pai e mãe é perturbador em qualquer fase da vida-, mas logo reassumem o controle e seguem em frente. Nao se espera outra coisa deles. Se tentarem fugir de suas responsabilidades, serão considerados pessoas infantis.
E quem tolera ser considerado infantil a essa altura?Então a gente presta atenção em volta, imita nossos pais e amigos, se apega a um roteiro conhecido, faz certo teatro, tudo para que não percebam que, em silêncio e na solidão, somos apenas crianças grandes.

M.Medeiros

sábado, 20 de junho de 2009

Saudade...

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. [...] Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...” m.medeiros

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Para os que amam...

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.